Monday, December 20, 2010

"Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo."
Fernando Pessoa

Saturday, September 11, 2010

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é."
Alberto Caeiro

Sunday, August 8, 2010

Luz no caminho.

""Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém."
José Régio

"Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos"
Alberto Caeiro

Sunday, July 18, 2010

Wednesday, July 14, 2010

"Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar"
Miguel Torga

Tuesday, July 13, 2010



Joana Lennon.

Estando na cidade mãe dos Beatles, não podia deixar de ir ao museu dedicado aos mesmos e de comprar uns óculos destes.

Monday, July 12, 2010

O primeiro voo.

Este foi meu primeiro voo. É tão giro ver as coisas ficarem cada vez mais pequeninas por baixo de nós. E só ver céu azul à nossa volta e o mar lá em baixo. E as nuvens por baixo do avião parecem algodão fofinho. Ia ficando com um torcicolo no pescoço de estar sempre com o nariz na janela.

Love Liverpool.

Wednesday, May 26, 2010

Espreitar.

"Aquela senhora tem um piano

Que é agradável mas não é o correr dos rios

Nem o murmúrio que as árvores fazem...

Para que é preciso ter um piano?

O melhor é ter ouvidos

E amar a Natureza."


A. Caeiro

Sunday, April 18, 2010




"Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
(...)
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha."

Álvaro de Campos (Tabacaria)

Mais Bichos do jardim.




Os Bichos do meu jardim

Sunday, April 4, 2010

Monday, March 22, 2010

Boa viagem Inverno e até à próxima!

Saturday, March 13, 2010

Olhos de gato

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Alberto Caeiro

Saturday, February 27, 2010

Dá-me uma mão.

Cacida de la mano imposible
Yo no quiero más que una mano,
una mano herida, si es posible.
yo no quiero más que una mano,
aunque pase mil noches sin lecho.

Sería un pálido lirio de cal,
sería una paloma amarrada a mi corazón,
sería el guardián que en la noche de mi tránsito
prohibiera en absoluto la entrada a la luna.

yo no quiero mas que esa mano
para los diarios aceites y la sábana blanca de mi agonia.
yo no quiero mas que esa mano
para tener un ala di mi muerte.

lo demás todo pasa.
rubor sin nombre ya, astro perpetuo.
lo demás es lo otro; viento triste,
mientras las hojas huyen en bandadas.
Cacida da Mão Impossível
Não quero mais que uma mão,
mão ferida, se possível.
Não quero mais que uma mão,
inda que passe noites mil sem cama.

Seria um lírio pálido de cal,
uma pomba atada ao meu coração,
o guarda que na noite do meu trânsito
de todo vetaria o acesso à lua.

Não quero mais que essa mão
para os diários óleos e a mortalha de minha agonia.
Não quero mais que essa mão
para de minha morte ter uma asa.

Tudo mais passa.
Rubor sem nome mais, astro perpétuo.
O demais é o outro; vento triste
enquanto as folhas fogem debandadas.

Federico García Lorca
Ceder ao vento.

Sunday, February 21, 2010



A neve

"A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo."

Alberto Caeiro
"O assobio do melro"

"Se o homem investisse no assobio tudo aquilo que normalmente confia à palavra e se o melro modulasse no seu assobio todo o não dito da sua condição de ser natural, estaria dado o primeiro passo para preencher a distância entre… entre o quê e o quê? Natureza e cultura? Silêncio e palavra? O senhor Palomar espera sempre que o silêncio contenha alguma coisa mais do que aquilo que a linguagem pode dizer. Mas se a linguagem fosse realmente o ponto de chegada para que tende tudo aquilo que existe? Ou se tudo aquilo que existe fosse linguagem, logo desde o início dos tempos? (...) Continuam a assobiar e a interrogar-se perplexos, ele e os melros."

Italo Calvino, Palomar
"Como aprender a estar morto"

"Em primeiro lugar, não se deve confundir o estar morto com o não estar, condição que ocupa também a interminável extensão de tempo que antecede o nascimento, aparentemente simétrica da outra, igualmente ilimitada, que se segue à morte. De facto, antes de nascer fazemos parte das infinitas possibilidades às quais acontecerá, ou não acontecerá, realizarem-se, ao passo que, uma vez mortos, não podemos realizar-nos, nem no passado (ao qual pertencemos agora inteiramente mas sobre o qual já não podemos influir) nem no futuro que, apesar de influenciado por nós, nos permanece vedado."

Italo Calvino, Palomar

Tuesday, January 19, 2010

Tive um coração.

"Tive um coração, perdi-o.
Ai quem mo dera encontrar!
Preso no fundo do rio
ou afogado no mar.

Quem me dera ir embora,
ir embora sem voltar!
A morte que me namora
já me pode vir buscar.

Tive um coração, perdi-o.
Ainda o vou encontrar!
Preso no lodo do rio
ou afogado no mar."

http://www.youtube.com/watch?v=W9X8_gycTUY


Monday, January 11, 2010

Sonata patética, para um dia de neve.


Era uma vez o dia em que o branco se fez cidade.


A menina saiu à rua e quis fazer-se de branco.


A menina procurou um lugar para si e fez-se jardim vazio, deixando o branco amontoar-se suavemente em seu corpo.


E, de repente, o coração da menina rasgou o branco e saltou para fora do seu peito.


O coração da menina deu alguns passos e afastou-se um pouco, com ar pensativo...


Olhou a menina de frente e exclamou: "És patética!"



Então, saltou para a palma da mão da menina e fez-se branco, fez-se neve, fez-se gelo e desfez-se em lágrimas frias de mais um dia de inverno (à espera da primavera).

Fim.
Joana10.

http://www.youtube.com/watch?v=FL0u9QXNvEg